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  •  Terremoto no Haiti

    Terremoto no Haiti

    Após a tragédia, a Marinha do Brasil, participante da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), passou a atuar ativamente nas atividades de resgate e reconstrução do país.

    Após a tragédia, a Marinha do Brasil, participante da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), passou a atuar ativamente nas atividades de resgate e reconstrução do país, com o Exército Brasileiro, a Força Aérea Brasileira, as Forças Armadas de outros países e as diversas instituições de apoio humanitário. Na MINUSTAH, a Marinha se faz presente, prioritariamente, por meio de seus Fuzileiros Navais, integrando o contingente brasileiro com um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav), do tipo Unidade Anfíbia, com 299 militares, em regime de rodízio, realizado a cada seis meses. Participa, também, do Estado-Maior do Batalhão Brasileiro do Componente Militar da Força de Estabilização (BRABATT).

    Durante entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira, o Comandante do GptOpFuzNav-Haiti, Capitão-de-Fragata (FN) Julio Cesar Franco da Costa, destacou que, logo após o terremoto, os militares voltaram suas atenções para o socorro humanitário. “Trabalhamos bastante, desviando um pouco de nossas tarefas iniciais, porém, não as deixando totalmente de lado. No entanto,
    nosso objetivo era atender, de forma imediata, às necessidades do povo haitiano”.

    No dia seguinte à tragédia, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, integrou a comitiva brasileira que visitou o Haiti, liderada pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim. A finalidade era analisar a situação e coordenar os trabalhos de resgate e socorro às vítimas, em uma primeira instância, e de reconstrução, na sequência. Com o terremoto, ruas, estradas e a maioria das edificações ficaram obstruídas ou destruídas.

    UNIÃO NO ESFORÇO HUMANITÁRIO

    No final de janeiro, as Marinhas do Brasil e da Itália uniram-se em uma operação conjunta em caráter de ajuda humanitária, embarcando, no Navio-Aeródromo italiano
    “Cavour” – que aportou em Fortaleza (CE), – na sua ida a Porto Príncipe, pessoal de saúde da Marinha, profissionais civis, mantimentos e meios aeronavais. O navio estava dotado de um hospital emergencial computadorizado, com capacidade para realizar procedimentos médicos (35 leitos, 8 UTIs e equipamentos modernos, como o tomógrafo, por exemplo). Seis helicópteros orgânicos,
    equipe médica e uma tropa de engenharia do exército italiano, também estavam embarcados. A equipe de saúde brasileira foi composta por seis médicos e dez enfermeiros da Marinha, além de 11 médicos e enfermeiros civis, selecionados pelo Ministério da Saúde, todos voluntários. As equipes passaram a atuar em parceria com os médicos italianos, a bordo do navio, em procedimentos de socorro às vítimas do terremoto.

    Além do pessoal da área de saúde, foram embarcados uma equipe especializada em evacuação aeromédica e os componentes dos Destacamentos Aéreos Embarcados (DAE), totalizando 11 oficiais e 36 praças, destinados a prestar o apoio necessário às aeronaves da Marinha do Brasil (um UH-14 Super Puma e um UH-12 Esquilo,
    também transportadas no “Cavour”).

    As aeronaves apoiaram, ainda, o transporte de pessoal e material dedicado às buscas, aos resgates e ao apoio às tropas em terra. No total, eram 74 brasileiros, sendo 63 militares e 11 civis.
    Ainda no esforço de auxiliar o país devastado, foi enviado, no dia 1o de fevereiro, o Navio de Desembarque de Carros de Combate “Almirante Saboia”, com uma carga de 700 toneladas
    de material com ajuda humanitária ao povo haitiano, além de suprimentos destinados às tropas da Marinha (Fuzileiros Navais) e do Exército Brasileiro.

    Outro navio da Marinha do Brasil, o Navio de Desembarque de Carros de Combate “Garcia D´Ávila” suspendeu do Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro, com destino ao Haiti, carregado com viaturas e cerca de 60 toneladas de material de ajuda humanitária (água, alimentos, barracas, remédios e roupas).

    PRIMEIRO CONTINGENTE

    Os meios navais da Marinha do Brasil no Haiti são empregados desde o primeiro contingente, no apoio logístico às tropas brasileiras, transportando tropas, viaturas e diversos materiais e equipamentos. Cabe ressaltar, como exemplo, o esforço da Marinha, quando do deslocamento do primeiro contingente
    brasileiro: 4 navios; 30 veículos; 13 reboques; 31 contêineres; suprimentos e equipamentos; e um total de 1.242 militares.

    A participação brasileira na MINUSTAH tem como marco inicial a aprovação, por unanimidade, pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), da Resolução de no 1.542, de 30 de abril de 2004. A participação das Forças Armadas do Brasil foi uma decisão de governo, após consulta realizada pela ONU ao Brasil, sobre a possibilidade de envio de tropas brasileiras em missão
    de estabilização do Haiti. Em maio de 2004, foi aprovado o Decreto Legislativo
    que oficializou o compromisso assumido pelo governo brasileiro.
    O Brasil, a cada seis meses, substitui todo o contingente brasileiro da Missão de Paz, que é o maior efetivo enviado para fora do País, desde a Segunda Guerra Mundial.
    Viaturas militares embarcadas no NDCC “Almirante Saboia”

    CONQUISTAS ANTES DO TERREMOTO

    A missão no Haiti conseguiu reduzir significativamente os níveis de violência em Porto Príncipe, capital do país, trazendo relativa normalidade à vida da população, até a ocorrência
    do terremoto.

    Após a subjugação de grupos criminosos que dominavam vários bairros da cidade, tornou-se possível a circulação de pessoas em áreas onde antes não se transitava. Mas a avaliação da ONU, compartilhada pelas Forças Armadas brasileiras, é de que ainda seria necessário um tempo maior para a consolidação do processo de paz naquele país, inclusive com o fortalecimento das novas instituições haitianas. A retirada prematura das forças de segurança poderia criar condições para um eventual recrudescimento das atividades criminosas.
    Mas, paralelamente ao fortalecimento institucional, já era necessário apressar o desenvolvimento econômico, razão de estabilidade social. Com a ocorrência do terremoto, essa necessidade tornou-se ainda mais urgente.

    “Quando decidi ser voluntária no Haiti, meu principal sentimento foi de compaixão com uma nação em sofrimento. Hoje, sigo com esta mesma vontade e com muito mais entusiasmo.”
    Sue Helen Barreto Marques – Enfermeira do Grupo Conceição de Porto Alegre/RS

    “Estamos contribuindo nos cuidados prestados na enfermaria. Estamos aprendendo a nos comunicar em diversos dialetos que por vezes se misturam, mas tudo muito enriquecedor a todos. Acredito que já não somos mais os mesmos.” Eloisa Nonnenmacher – Enfermeira do Grupo Conceição de Porto Alegre/RS

    “Nosso apoio nesta missão se iniciou de forma discreta e se intensificou com o passar do tempo. Na medida em que pacientes eram trazidos à enfermaria do ‘Cavour,’ nossa equipe desenvolvia seu trabalho da melhor maneira possível. Através da dor expressa pelas vítimas por nós atendidas e pelo relato de companheiros que estiveram em terra, podemos imaginar o sofrimento daquele povo e nos sentir orgulhosos da nossa ajuda.” 2O SG-EF Alessandro Pereira Maldonado

    “Estar engajado numa missão naval binacional, em prol do povo do Haiti, podendo conhecer a realidade e atender pacientes haitianos, faz-me sentir útil e ter orgulho de meu País.”
    Luiz Mário Bretanha de Moraes – Médico do Grupo Conceição de Porto Alegre/RS

    “Sermos voluntárias para auxiliarmos os cidadãos do Haiti nos trouxe a oportunidade de convivermos com a Marinha brasileira.
    Tenho certeza que esta é uma oportunidade única em nossas vidas. Contribuímos com o povo haitiano com aquilo que sabemos fazer, enquanto profissionais de saúde.”
    Fátima Ali – Enfermeira do Grupo Conceição de Porto Alegre/RS

    “A Missão conjunta entre militares brasileiros da Marinha do Brasil – Corpo de Saúde da Marinha e Destacamento Aéreo – e profissionais do Ministério da Saúde, em conjunto com as Forças Armadas italianas, a bordo do ‘Cavour’, tem ocorrido em clima de grande cordialidade. Estamos todos preparados para fazermos o melhor nesta importante e árdua missão.”
    CT (Md) Romero José de Carvalho Júnior

    “Quero agradecer por estar nesta missão; isto só faz aumentar o meu carinho por esta casa chamada Marinha do Brasil.”
    3O SG-EF Alex Sandro Barreira Rocha

    “Estamos tendo a oportunidade de trabalhar a bordo do ‘Cavour’. Está sendo uma experiência muito rica, em que o espírito
    humanitário nos unifica, militares da Marinha e civis.”
    Lúcia Helena de Albuquerque e Souza – Médica do Grupo Conceição de Porto Alegre/RS

    FONTE – Marinha em Revista

  •  SALVAMAR BRASIL

    SALVAMAR BRASIL

    Emergência no mar. Navegantes brasileiros ou estrangeiros contam com um serviço especial operado pela Marinha do Brasil.

    O Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil já funciona há 39 anos. A atividade é decorrente dos compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil, constantes na Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (Convenção SOLAS, 1974 e Protocolo de 1988), na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM, Jamaica, 1982) e na Convenção Internacional de Busca e Salvamento Marítimo (Hamburgo, 1979).

    A Região de Busca e Salvamento Marítimo, sob a responsabilidade do Brasil, compreende uma extensa área do Oceano Atlântico, de aproximadamente 15 milhões de km2. Conforme a necessidade, são efetuados o apoio mútuo e a coordenação com o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico, conduzido pela Força Aérea Brasileira.

    No caso de um acidente no mar, para o qual é acionado o serviço SAR (Searching and Rescue), o Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM), por intermédio do Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM), tem como principal finalidade permitir a rápida localização das embarcações e dos navios mais próximos da área SAR, em condições de prestar auxílio. Esse foi, exatamente, o caso do acidente do voo AF 447, ocorrido no ano passado, em que, por causa da distância em que se encontrava da costa, três navios mercantes foram acionados para realizar as primeiras buscas, até a chegada dos navios da Marinha do Brasil.

    Visando a facilitar e agilizar os atendimentos a esses casos, a Marinha do Brasil está implantando, em todo o Brasil, o telefone de emergência de serviço público 185 – Disque SAR Marítimo, pelo qual, em uma emergência SAR, poderá ser contactado o SALVAMAR de cada região. Esse telefone estará, brevemente, em operação em todas as regiões do País, segundo afirmou à Marinha em Revista o Capitão-de-Fragata Valdir de Castro Santos Filho, Ajudante da Divisão de Patrulha Naval, Socorro e Salvamento.
    “Estamos trabalhando na ativação do número 185 e posso afirmar que, com ele, daremos um importante salto em termos de agilidade e de opções de acionamento do SALVAMAR
    BRASIL”, complementa.

    CASOS EM 2009

    Entre os casos registrados durante o ano de 2009, alguns ganharam grande destaque na mídia. No dia 23 de novembro do ano passado, a Marinha do Brasil resgatou 22 tripulantes de um navio mercante de bandeira turca, que se encontrava com um incêndio de grandes proporções, a aproximadamente 260 km do litoral gaúcho, na altura de Tramandaí.

    Ao saber do evento, o SALVAMAR SUL iniciou imediatamente os procedimentos de socorro, determinando que as Fragatas “Bosísio” e “Constituição” e o Navio-Patrulha “Benevente”, que participavam da Operação Combinada “Laçador”, fossem destacados para o local e interrompessem, momentaneamente, suas participações no exercício. Foram resgatados os 22 tripulantesdo navio, 20 de nacionalidade turca e dois do Azerbaijão.

    No dia 5 de outubro de 2009, a Marinha do Brasil resgatou, a aproximadamente 1.240 km de Cabo Frio-RJ, um tripulante de 61 anos do Navio Mercante “Rebekka N”, de bandeira liberiana, que se encontrava enfermo com fortes dores no peito e pressão alta.

    O navio graneleiro havia partido do porto de Tubarão, no Espírito Santo, com destino à Coreia do Sul. A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro informou o fato ao SALVAMAR SUESTE, que solicitou ao Comando-em-Chefe da Esquadra a disponibilização da Fragata “Independência”, que se encontrava em exercício no litoral do Espírito Santo, para atender a esse SAR.

    Ainda na noite do dia 5, um médico da Marinha passou a orientar, por telefone, o Comandante do navio mercante.

    Na tarde do dia 6 de outubro, a Fragata aproximou-se do mercante e enviou um helicóptero “Super Lynx”, com médico cardiologista, que pousou no navio, resgatou o tripulante enfermo e o transferiu para bordo do navio da Marinha. Após aproximar-se da costa, cerca de 1h do dia 7 de outubro, o tripulante enfermo foi transportado por helicóptero até o Aeroporto de Vitória, onde foi recebido por uma equipe médica e conduzido a um hospital local.

    Na madrugada do dia 28 de setembro, por volta de 1h, foram resgatados os três tripulantes do Veleiro Acauã”, em uma ação conjunta realizada pelo Rebocador de Alto-Mar (RbAM) “Triunfo” e pelo Navio-Patrulha (NPa) “Graúna”, no litoral paraibano. O veleiro virou no dia 27 de setembro, quando estava a 22 milhas náuticas (aproximadamente 41 km) da cidade de Cabedelo, na Paraíba, durante sua viagem de retorno da Regata Internacional Recife–Fernando de Noronha (REFENO). Ao ser acionado, o RbAM “Triunfo” acompanhava a Regata Fernando de Noronha–Natal, sequencial à REFENO. O NPa “Graúna” suspendeu de Natal e manteve os contatos iniciais com os náufragos. Os velejadores foram encontrados pelo navio, em cima do casco do veleiro e foram resgatados por meio do bote orgânico do “Triunfo”. Ao embarcarem no navio, os três velejadores foram atendidos pelo Oficial Médico de bordo, não sendo constatados maiores problemas de saúde. Em seguida, os velejadores receberam material para se aquecerem e foram alimentados. Após o socorro, o “Triunfo” dirigiu-se ao Porto de Cabedelo,
    onde os velejadores foram recebidos pelos seus familiares.

    Em agradecimento à Marinha do Brasil, um dos tripulantes, Savigny Cunha Lima, publicou um anúncio em vários outdoors espalhados pela cidade onde mora.Marinha“A gratidão pela eficiência no resgate é impagável.

    Precisava externar o nosso sentimento de agradecimento não somente à Marinha do Brasil, mas aos amigos e familiares que, de alguma forma, se preocuparam e se envolveram no episódio”. Savigny cita os momentos de tensão que passou durante o resgate.“O procedimento de aproximação foi lento, por estar à noite. Apesar de termos luzes de emergência nos nossos coletes salva-vidas e flash home a bordo, nossa iluminação era precária, por isso, fomos confundidos com barcos de pesca. Após os primeiros contatos via rádio, ficamos orientando os dois navios, tentando passar nossa posição. Como estava escuro, nós conseguíamos ver os navios, mas o mesmo não acontecia com eles. Foi tenso e demorado, mas a competência dos comandantes e tripulantes dos navios ‘Triunfo’ e ‘Graúna’ fez a diferença”.

    HISTÓRICO DO VOO AF 447

    Madrugada de 1o junho de 2009: a aeronave do voo 447 da Air-France desaparece no Oceano Atlântico, na altura do arquipélago de São Pedro e São Paulo. A Marinha do Brasil participa, ativamente, com a Força Aérea Brasileira, da maior Operação de Busca e Salvamento no mar já realizada pelo Brasil. Nos 26 dias seguintes de buscas aos passageiros e tripulantes, foram resgatados 50 corpos e mais de 600 partes da aeronave e pertences das vítimas. O avião desapareceu quando voava na rota Rio de Janeiro– Paris, com 216 passageiros e 12 tripulantes a bordo.

    Na operação de buscas, a Marinha do Brasil atuou com 11 navios, em revezamento na área do acidente (de aproximadamente 280.000 km2, equivalente à do estado do Rio Grande do Sul), totalizando aproximadamente 33 mil milhas náuticas navegadas ou 612.480 km. Foram envolvidos, nessa operação, 1.400 militares e totalizadas 150 horas de voo das aeronaves da Marinha.

    Sob a supervisão do SALVAMAR BRASIL, coube ao SALVAMAR NORDESTE a coordenação das atividades SAR marítimas, enquanto a coordenação geral das buscas ficou a cargo do SALVAERO RECIFE, órgão da Força Aérea Brasileira, por se tratar de evento SAR decorrente de um acidente aeronáutico.

    Com a finalidade de divulgar as experiências adquiridas, o Comando de Operações Navais realizou, nos dias 26 e 27 de agosto de 2009, na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, o Seminário SAR SNE-003/09, em que foram realizadas conferências e painéis abordando o desenvolvimento
    da operação, os óbices, as soluções e os ensinamentos colhidos.

    Fonte – Revista em Marinha – Por Capitão-Tenente (T) Felipe Picco Paes Leme

  • Cisne Branco

    Cisne Branco

    Qual Cisne Branco que em noite de lua, vai deslizando num lago azul. O meu navio também flutua, nos verdes mares de norte a sul.

    Qual Cisne Branco que em noite de lua, vai deslizando num lago azul. O meu navio também flutua, nos verdes mares de norte a sul”.

    O “Cisne Branco”, um dos veleiros mais bonitos do mundo, é um navio de representação da Marinha do Brasil, responsável por levar a bandeira e a cultura brasileira a outros países e por resgatar e dar continuidade a uma história milenar entre o homem, o mar e os navios, cultuando as mais puras tradições navais. Serão sete meses longe de casa, entre fevereiro e agosto de 2010, participando da regata. Os dias no mar, no entanto, fazem parte da rotina da tripulação do navio brasileiro.

    Antes de partir para essa viagem, o “Cisne Branco” participou, junto aos outros navios, do evento “Grandes Veleiros Rio-2010”, no Rio de Janeiro, onde os nove navios veleiros participantes ficaram abertos à visitação pública.

    O encontro foi realizado pela primeira vez no Brasil. Ao longo dos sete dias de evento, de 31 de janeiro a 6 de fevereiro, mais de 85 mil pessoas visitaram os navios atracados no Píer Mauá.

    Em eventos paralelos, apresentaram-se no local as Bandas Marcial e Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, a bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca e diversos blocos carnavalescos.

    A sociedade carioca assistiu, ainda, a dois desfiles navais dos veleiros (de chegada e de partida), realizados ao longo da orla da cidade que, segundo
    os organizadores, foi assistido por mais de 1 milhão de pessoas.

    Na primeira etapa da “Velas Sudamérica 2010” (Rio de Janeiro–Mar del Plata), o NVe “Cisne Branco” foi o primeiro colocado geral, por ter obtido
    o melhor tempo corrigido entre todos os participantes. O veleiro brasileiro foi, também, o “Fita Azul”, Line of Honours, prêmio destinado ao primeiro
    navio a cruzar a linha de chegada, independentemente da classe e do tempo corrigido. Em Mar del Plata, o “Cisne Branco” recebeu a visita de 65 mil pessoas, além de receber o título de “Visitante Ilustre da Cidade de Mar del Plata”, entregue durante cerimônia realizada na Câmara dos Vereadores.

    EURO-AMÉRICA 2009

    No ano passado, o Navio-Veleiro completou 181 dias consecutivos de viagem, ao participar da Comissão “Euro-América 2009”, com passagens pelos Portos de Salvador, Fortaleza, Belém, San Juan (Porto Rico), Hamilton (Bermudas), Baltimore (EUA), Norfolk (EUA), Boston (EUA), Halifax (Canadá), Belfast (Irlanda do Norte), Delfzijl (Holanda), Oslo (Noruega), Lisboa (Portugal), Funchal (Portugal), Mindelo (Cabo Verde), Natal e Maceió.

    Durante a comissão, o navio participou do maior evento náutico promovido pela Sail Training International (STI) e American Sail Training Association (ASTA), chamado Tall Ships Atlantic Challenge 2009 (TSAC 2009). Entre os dias 20 de julho e 13 de agosto, o “Cisne Branco” participou da quinta etapa dessa competição, com mais 12 veleiros de diversas nacionalidades.

    A regata visava a cruzar o Atlântico Norte, saindo de Halifax, indo até Belfast. O tempo total estimado para a travessia foi de 23 dias, sendo que o “Cisne Branco” completou o percurso em 15 dias, conquistando a “Fita Azul”, sagrando-se primeiro lugar da Classe A e segundo lugar geral entre classes.
    Após cinco meses e meio afastado do Brasil, o NVe “Cisne Branco” atracou em Natal, em 13 de outubro Natal, em 13 de outubro de 2009. Ávida para visitar o navio, a população local compareceu em massa, mostrando o interesse, o orgulho e o carinho que o povo brasileiro cultiva para com o navio e a Marinha. Foram aproximadamente 1.600 pessoas, no único dia de semana no qual o navio permaneceu aberto à visitação.

    O navio atracou no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro. No período da viagem, foram visitados 17 portos e navegadas aproximadamente 18 mil milhas. Na viagem, foram realizados, ainda, 108,5 dias de mar e recebidas, cerca de 80 mil pessoas a bordo, entre visitantes e convidados.

    “CISNE BRANCO”

    O “Cisne Branco” é um veleiro de grande porte (Tall Ship). Construído em Amsterdã (Holanda), pelo Estaleiro Damen, teve sua quilha batida em 9 de novembro de 1998, tendo sido lançado ao mar e batizado no dia 4 de agosto de 1999. Foi entregue à Marinha do Brasil no dia 4 de fevereiro de 2000 e incorporado à Armada no dia 9 de março de 2000.

    Realizou sua viagem inaugural – a travessia comemorativa dos “500 anos de Descobrimento do Brasil” – cruzando o Atlântico, da mesma forma que o fez Pedro Álvares Cabral em 1500.

    O projeto do “Cisne Branco” inspira- se nos desenhos dos últimos “Clippers” construídos no fim do século XIX.
    O nome do navio decorre do verso inicial da Canção do Marinheiro. Vale a pena citar que a palavra “cisne”, na simbologia heráldica, significa feliz travessia e bom augúrio. O “Cisne Branco” é o terceiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome. O primeiro foi um veleiro de 79 pés (24 m) de comprimento, construído em madeira, que possuía dois mastros e era tripulado com 20 homens. Realizou apenas uma viagem de instrução com Guardas-Marinha, no ano de 1979. O segundo navio a ostentar o nome foi um veleiro de 83 pés de comprimento, com mastro
    e casco construídos em alumínio. Esse veleiro substituiu o primeiro e realizou viagens de instrução com Guardas-Marinha, nos anos de 1980 a 1986, quando passou à Escola Naval,
    para servir como veleiro de instrução, até o seu descomissionamento no ano seguinte.

    Fonte – Marinha em Revista

  • Navio Patrulha de 500 toneladas

    Navio Patrulha de 500 toneladas

    O aumento da capacidade da Marinha do Brasil de cumprir as tarefas de fiscalização e patrulhamento do mar está diretamente relacionado à implantação

    É do mar que hoje retiramos 90% do petróleo consumido no País. Contudo, só agora descobrimos, nas águas profundas do Atlântico, o Pré-Sal – ambiente em que será explorada a maior porção já descoberta desse precioso óleo, no Brasil. O mar também é fonte de alimentos, além de inúmeras riquezas minerais. As Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB) poderão atingir 4,5 milhões de km², ou seja, uma extensão equivalente à metade do território nacional. Por seus incomensuráveis recursos naturais e grandes dimensões, essa área tem sido chamada, pela Marinha do Brasil, de “Amazônia Azul” – um patrimônio comparável ao da “Amazônia Verde”.

    A incorporação do Navio-Patrulha (NPa) “Macaé”, ocorrida no dia 9 de dezembro do ano passado, em Fortaleza (CE), marca o início da
    atuação de uma nova classe de navios da Marinha do Brasil – os NPa de 500 toneladas, em um total de 27 navios. Os novos meios navais contribuirão para ampliar a capacidade de defesa do patrimônio brasileiro no mar, participando de atividades de patrulha, inspeção naval e salvaguarda da vida humana no mar. Também irão fiscalizar a poluição
    marítima, contribuir para a proteção de campos petrolíferos e para a segurança do tráfego marítimo nacional.

    O navio possui uma tripulação de 35 militares (5 Oficiais e 30 Praças) e é dotado de 1 canhão de 40 mm L70 (AOS), 2 metralhadoras de 20 mm GAM B01-2, 2 motores de propulsão, 3 geradores de energia e equipamentos de comunicação. Desenvolve velocidade máxima de 21 nós (aproximadamente 40 km/h) e possui autonomia
    de 10 dias no mar, com um raio de ação além dos 4.500 km.

    PARCERIA COM A INDÚSTRIA PRIVADA

    O aumento da capacidade da Marinha do Brasil de cumprir as tarefas de fiscalização e patrulhamento do mar está diretamente relacionado à implantação
    da Estratégia Nacional de Defesa (END) – plano do governo federal que busca modernizar a estrutura nacional de defesa, atuando na reorganização das Forças Armadas, na reestruturação da indústria
    brasileira de material de defesa e na política de recomposição dos efetivos das Forças Armadas. Especificamente para a Marinha, as ações são orientadas pelo Plano de Articulação e Equipamento
    da Marinha do Brasil (PAEMB) e pelo Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM).

    O Diretor de Engenharia Naval da Marinha, Contra-Almirante (Engenheiro
    Naval) Francisco Roberto Portella Deiana, anunciou a importância dessa nova fase da construção naval para a economia brasileira. Segundo o Diretor, o PAEMB e o PRM deram um significativo passo para o reaquecimento da indústria naval e da defesa do País, com o aumento de oportunidades de emprego e renda para esse setor.

    “O valor desse navio foi de R$ 65 milhões, com índice de nacionalização da ordem de 60%. Sempre que possível, a Marinha do Brasil procura repassar para a indústria privada a incumbência da construção naval”, revelou o Almirante. No caso do NPa “Macaé”, a licitação foi vencida pela Indústria Naval do Ceará (INACE), que construirá, também, o NPa “Macau”, com previsão de prontificação no segundo semestre de 2010.

    O segundo lote de mais quatro navios foi encomendado ao Estaleiro Ilha Sociedade Anônima (EISA), no Rio de Janeiro. Para esses, o canhão sofrerá um processo progressivo de nacionalização, que culminará com o índice de 70% na última unidade. Após a conclusão
    do projeto, o Brasil terá a possibilidade de construir o mesmo canhão para outras unidades.

    O Comandante do NPa “Macaé”, Capitão-de-Corveta Márcio Gonçalves Martins Assumpção Taveira, mencionou que as empresas brasileiras envolvidas na construção do navio, detentoras de todo o know how, estão treinando a tripulação e, em especial, os encarregados dos equipamentos de bordo. “Teremos o treinamento técnico e de manutenção ministrado pelas empresas detentoras do conhecimento de fabricação e manutenção dos equipamentos, o que demonstra o compromisso com o projeto”, constatou.
    “95% do nosso comércio exterior são realizados pelo mar. Isso mostra sua importância para o Brasil. Assim, temos feito um esforço muito grande para que possamos estar sempre presente em todas as áreas da ‘Amazônia Azul’”. Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, Comandante da Marinha.

    A Marinha do Brasil mantém uma estação científica no Arquipélago de São Pedro e São Paulo

    Durante o evento de lançamento do “Macaé”, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, destacou que a Marinha do Brasil é responsável por garantir a soberania e as riquezas da “Amazônia Azul”, como o petróleo, o gás natural e a pesca. “95% do nosso comércio exterior são realizados
    pelo mar. Isso mostra sua importância para o Brasil”. Ele afirmou, ainda, que a Marinha tem feito um esforço muito
    grande para estar sempre presente em todas as áreas da “Amazônia Azul”.

    O DIREITO DO MAR

    Na “Amazônia Azul”, os limites das Águas Jurisdicionais são linhas sobre o mar. Elas não existem fisicamente.
    O que as define é a existência de navios patrulhando-as ou realizando ações de presença. No entanto, a proteção dessa área é uma tarefa complexa. Se a ação for tímida, a pirataria, o contrabando,os despejos ilegais de material poluente e a exploração da fauna encontrarão terreno fértil de propagação. Um modelo
    de vigilância na “Amazônia Azul” é mais complexo do que no continente e passa, necessariamente, pelo adequado aparelhamento da Marinha.

    Na década de 1950, as Nações Unidas começaram a discutir a elaboração do que viria a ser, anos mais tarde, a Convenção
    das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM). O Mar Territorial, com 12 milhas náuticas de largura a partir da costa, somado à Zona Econômica Exclusiva (ZEE), com 188 milhas náuticas de largura, constituem-se nas Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB). Hoje, segundo acordado na Convenção, as AJB atingem 3,5 milhões de km². Respaldado pela CNUDM, o Brasil está pleiteando junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) a extensão da demarcação de área de sua TrindadePlataforma Continental, além das 200 milhas náuticas (370 km), correspondente a uma área de 960 mil km². Se obtiver êxito, as AJB poderão atingir até 4,5 milhões de km².

    Segundo o Anuário Estatístico 2008, produzido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o conjunto de instalações portuárias brasileiras
    movimentou 768 milhões de toneladas de carga. O petróleo e o gás natural são outras grandes riquezas da “Amazônia Azul”. Quanto ao gás natural, os depósitos descobertos na bacia de Santos e no litoral do Espírito Santo viabilizam a consolidação do produto no mercado brasileiro como o “combustível do século XXI”.

    A atividade pesqueira é outra potencialidade da “Amazônia Azul”. No mundo, o pescado representa valiosa fonte de alimento e de geração
    de empregos. No Brasil, a aquicultura é o principal macrovetor da produção pesqueira, com o cultivo de espécies em fazendas no litoral e em águas interiores. Os recursos minerais marinhos constituem-se em um grande filão econômico.

    No âmbito científico, o Comandante da Marinha coordena a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), com representantes de 18 Ministérios, responsáveis por uma série de programas sobre o uso racional das riquezas existentes nas AJB.

    DEFESA DA “AMAZÔNIA AZUL”

    Na elaboração do PAEMB, procurou- se levantar todas as ações a serem implementadas para dotar a Marinha de organizações militares, meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, sistemas, armamento, munição e efetivos de pessoal necessários ao atendimento das diretrizes estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa.

    A prioridade é assegurar os meios para negar o uso do mar a qualquer concentração de forças inimigas que se aproxime do Brasil por via marítima.
    Assim, para assegurar o objetivo de negação do uso do mar, o Brasil contará com força naval submarina de envergadura, composta de submarinos convencionais e de submarinos
    de propulsão nuclear. Em setembro do ano passado, foram assinados e colocados em eficácia todos os contratos comerciais relativos ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Até 2015, a Marinha construirá um estaleiro e uma base naval, dedicados ao projeto dos submarinos. Em 2016, estará construído o primeiro dos quatro submarinos convencionais e, até 2023, planeja-se concluir o primeiro submarino com propulsão nuclear brasileiro.

    Para garantir a soberania nas AJB, a Marinha planeja modernizar e balancear a Força, de forma que atenda às demandas compatíveis com a inserção político-estratégica do País, no cenário internacional. Tudo isso para manter-se sempre pronta a atuar no mar e em águas interiores, cumprindo assim sua principal destinação constitucional, de preparar e empregar o Poder Naval

    Fonte – Marinha em Revista

  • O Corpo de Fuzileiros Navais

    O Corpo de Fuzileiros Navais

    A Brigada Real da Marinha foi a origem do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. Criada em Portugal em 28 de agosto de 1797, por Alvará da rainha d. Maria I, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, acompanhando a família real portuguesa que transmigrava para o Brasil.

    O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN)

    A Brigada Real da Marinha foi a origem do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. Criada em Portugal em 28 de agosto de 1797, por Alvará da rainha d. Maria I, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, acompanhando a família real portuguesa que transmigrava para o Brasil.

    O batismo de fogo37 dos fuzileiros navais ocorreu na expedição à Guiana Francesa (1808/1809), com a tomada de Caiena38. Em 1809, d. João Rodrigues Sá e Menezes, conde de Anadia, então ministro da Marinha, determinou que a Brigada Real da Marinha ocupasse a Fortaleza de São José, na ilha das Cobras, onde até hoje o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais tem seu Quartel-General.
    Após o retorno do rei d. João VI para Portugal, um Batalhão da Brigada Real da Marinha permaneceu no Rio de Janeiro. Desde então, os soldados-marinheiros estiveram presentes em todos os episódios importantes da História do Brasil, seja nas lutas pela con¬solidação da Independência, seja nas campanhas do Prata ou em outros conflitos armados, nos quais o País se empenhou.
    Ao longo dos anos, o CFN recebeu di¬versas denominações: Batalhão de Artilha¬ria da Marinha do Rio de Janeiro, Corpo de Artilharia da Marinha, Batalhão Naval, Corpo de Infantaria de Marinha, Regimen¬to Naval e, finalmente, desde 1932, Corpo de Fuzileiros Navais. Na década de 1950, o CFN estruturou-se para emprego operati¬vo como Força de Desembarque, passando a constituir parcela da Marinha destinada às ações e operações terrestres necessárias a uma campanha naval.

    O CFN é uma tropa profissional e voluntária, em permanente condição de emprego, de caráter expedicionário por excelência, essencial para a defesa das instalações navais e portuárias, bem como dos arquipélagos e ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras, para assegu¬rar o controle das margens das vias fluviais durante as operações ribeirinhas e para atuar em operações internacionais de paz e em ações humanitárias.

  • Os Distritos Navais

    Os Distritos Navais

    Os Comandos de Distritos Navais (ComDN) têm como pro¬pósito contribuir para o cumprimento das tarefas de responsabi¬lidade da Marinha, nas suas respectivas áreas de jurisdição.

    Os Comandos de Distritos Navais (ComDN) têm como propósito contribuir para o cumprimento das tarefas de responsabi¬lidade da Marinha, nas suas respectivas áreas de jurisdição. São, ao todo, nove ComDN, sediados nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Natal (RN), Belém (PA), Rio Grande (RS), Ladário (MS), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Manaus (AM).