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Assunto: 150º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna da Marinha

Em 1865, a jovem Nação brasileira, ainda sob o regime imperial, experimentava a consolidação do sentimento de nacionalidade. No entorno geográfico, os recentes processos de independência conformavam movimentos de estabilização e de confrontos limítrofes.

O Brasil atribuía muita importância à região do Rio da Prata, pois a livre navegação pelos seus grandes cursos d’água permitiam o acesso ao interior do País. A comunicação terrestre com a província de Mato Grosso era precária, reforçando a relevância do emprego dos rios Paraná e Paraguai para alcançá- la.

Esse era o contexto ao eclodir a Guerra da Tríplice Aliança, maior conflito regional na história sulamericana, na qual a invasão de parte das Províncias de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul serviu como estopim e gerou a necessidade de atuar militarmente para salvaguardar os interesses nacionais.

A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida há exatos 150 anos, assinalou um momento capital no conflito, pois, ao garantir a liberdade de navegação nos rios Paraná, Paraguai e seus afluentes, permitiu que pudéssemos transportar, com segurança, soldados, artilharia e mantimentos, inviabilizando a ofensiva inimiga.

A épica vitória de nossa Força-Tarefa deixou-nos um rico legado de exemplos que hoje, nesta comemoração cívica, devemos exaltar e cultuar.

Exaltar e cultuar o exemplo de heroísmo do Chefe de Divisão Barroso! Oficial austero, com profundo senso de honra, cuja carreira foi, desde muito jovem, forjada a bordo dos navios e que soube, nos momentos decisivos da batalha, arrebatar seus subordinados. Sua ousadia e destemor, ao lançar seu Capitânia, a Fragata “Amazonas”, contra as unidades inimigas em sucessivos golpes, afundando 3 navios, dissipou o fervor de luta dos demais.

Exaltar e cultuar o exemplo de patriotismo do Guarda-Marinha Greenhalgh! Um jovem que, com 20 anos incompletos, lutou até a morte na defesa da Bandeira Nacional, símbolo do Império, símbolo de uma Nação ainda em formação, cujo caráter estava surgindo das águas ensanguentadas do Paraná. Enfrentou vários inimigos e acabou tombando, mas nosso Pavilhão não caiu.

Exaltar e cultuar o exemplo de bravura do Marinheiro Marcílio Dias! Praça distinta que sucumbiu na defesa da canhoneira “Parnaíba”. Seu barco, sua alma! Enfrentou vários inimigos, conseguindo abater dois, mas terrivelmente mutilado acabou falecendo no dia seguinte à batalha. Seu espírito nacionalista repousa sob as águas do Rio Paraná.

Exaltar e cultuar o exemplo de arrojo dos combatentes embarcados! Nossa Esquadra, com seus Marinheiros e Soldados, inferiorizada pela surpresa, não esmoreceu ante a desvantagem inicial do combate e logrou incontestável vitória. Ao todo, em nossos 9 navios, computamos 104 mortos, 123 feridos e 20 perdidos no combate. Honrados brasileiros, pais de família, filhos queridos, marinheiros de Barroso que perderam suas vidas e, ao serem homenageados, devem tornar-se perenes no consciente nacional.

A Batalha Naval do Riachuelo não pode ser considerada, contudo, como um episódio isolado, nem as ações navais que se desenrolaram tão somente fruto de inspiração momentânea e do destemor daqueles heróis. Ao citar Rui Barbosa, que dizia que “Esquadras não se improvisam!”, faz-se mister refletir que Riachuelo foi consequência do esforço de preparação de uma Marinha que, desde os seus primórdios, destacou-se por cultivar profundo profissionalismo, mesmo nos períodos de enormes carências ou inadequações dos seus meios navais, como o que ocorreu no início daquela guerra. Uma Marinha formada e amadurecida em combates: Guerra da Independência, Campanha Cisplatina, Revolta dos Balaios, Cabanada, Revolução Farroupilha, Campanha contra Oribe e Rosas. Uma Marinha comprometida com a manutenção da soberania e integridade do país. Uma Marinha com ativa participação na formação da nacionalidade.

Assim foi antes de Riachuelo e assim foi após, quando esteve intensamente presente nos dois conflitos mundiais do século XX.

Assim continua sendo nos dias de hoje, atuando nas águas do Líbano, nas ruas de Porto Príncipe, na Amazônia Azul, na Antártica, nos Rios da Amazônia Verde e Pantanal e onde mais a Pátria necessitar.

Assim será sempre, posso afiançar-lhes. Pois o patrimônio de valor e profissionalismo – o compromisso de Riachuelo – do qual nós, marinheiros do presente, somos herdeiros e guardiões, é imprescindível para um País com a envergadura que desejamos alcançar no cenário internacional.

As momentâneas dificuldades de aprestamento podem limitar nossas pretensões, mas não inibem nossos sonhos nem diminuem a certeza dos destinos deste País-continente e de sua Armada. Não inibem o fogo sagrado e a alegria contagiante das jovens tripulações que guarnecem nossos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, nem tampouco o entusiasmo maduro de seus Comandantes.

Asseguro que nós, marinheiros, continuamos conscientes do dever de que nossos atos e aspirações não sejam nunca menores que a glória e a nobreza daqueles que nos precederam. Esta é a nossa tradição! Este é o verdadeiro sentido de comemorarmos o sesquicentenário da vitória na Batalha Naval de Riachuelo! Esta crença foi a nossa gênese; foi o sentimento que impulsionou Barroso e seus comandados e deve ser o estímulo a manter nossa motivação: Tudo pela Pátria!

EDUARDO BACELLAR LEAL FERREIRA
Almirante-de-Esquadra
Comandante da Marinha
MARCELO DA SILVA VIEIRA
Capitão-Tenente (T)
Encarregado da Divisão de Secretaria e Comunicações
AUTENTICADO DIGITALMENTE

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