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Há 131 anos, a Alta Administração da Marinha Imperial preocupava-se com o surgimento de novas táticas, especialmente aquelas presenciadas na Batalha de Lissa, onde os austríacos se impuseram sobre uma força italiana mais poderosa. Essas táticas indicavam a dominação dos mares pelas armadas encouraçadas, agrupadas em esquadras compostas por unidades com alto grau de eficiência em comunicações e manobra.

Nesse contexto, em 19 de agosto de 1884, criou-se a “Esquadra de Evoluções”, integrada pelos Encouraçados “Riachuelo”, “Sete de Setembro”, “Solimões” e “Javari”; Cruzadores “Guanabara”, “Almirante Barroso”, “Trajano” e “Primeiro de Março”; Torpedeiras de 1ª Classe 1, 2, 3, 4 e 5; e Torpedeiras de 4ª Classe Alfa, Beta e Gama. Ao todo, eram 16 navios a vapor que concretizavam todo o avanço que a mecânica, a termodinâmica, a ótica e a eletricidade emprestavam à estrutura dos navios, à sua artilharia e à sua mais nova arma: o torpedo.

O Comando da “Esquadra de Evoluções” foi atribuído ao Chefe-de-Esquadra (posto que hoje corresponde a Vice-Almirante) Artur Silveira da Mota, Barão de Jaceguai, a quem coube cumprir, dentre outras, as tarefas constantes do Aviso n° 1541A de 1884, do então Ministro dos Negócios da Marinha, Almirante Joaquim Raymundo de Lamare:
– Habilitar os Oficiais da Armada na aplicação dos princípios da moderna tática naval;
– Exercitar Oficiais e Praças no uso das armas ofensivas e defensivas da guerra marítima e nas operações de desembarque e ataque de fortificações;
– Estudar a melhor tática a ser adaptada nas Flotilhas de Torpedeiras, quer operem estas isoladamente, quer por combinação com os navios de combate; e
– Organizar um novo regimento de sinais adaptados à tática naval moderna; e
– Manter, em toda a Esquadra, o mais vivo espírito militar e a mais severa disciplina.
Naquela época, os marinheiros guarneciam os ninhos de pega e cestos de gávea dos navios, onde os mais acurados sensores de bordo eram os olhos e ouvidos daqueles homens, que enfrentavam as intempéries da natureza e exploravam os limites das capacidades humanas para manter a vigilância e dar o alarme da presença do inimigo. Após essa rudimentar detecção, Oficiais utilizavam-se de escassos recursos náuticos para calcular, prever e executar as manobras navais que, unidas à iniciativa e à criatividade inerentes ao bom marinheiro, visavam surpreender o oponente.

Nos dias de hoje, dentro dos nossos passadiços, estações rádio, oficinas de eletrônica, centros de combate e tijupás, verifica-se que a precisão e a rapidez das ações individuais e coletivas durante as operações definem os contornos finais do combate no mar. A despeito do automatismo conferido pelos complexos sistemas navais, permanece o homem como elemento fundamental para o sucesso das Operações Navais.

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